Memórias gastronômicas da Patagônia e Terra do Fogo

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A Argentina e o Chile me encantam, e estão bem aqui do lado, com custos similares aos brasileiros – a depender da cidade, até mais em conta. Sou apaixonada pela América do Sul, e ainda conheço tão pouco! Vou desbravand o continente de férias em férias 🙂 Em março de 2016, final do verão, fiz uma viagem apaixonante com o meu digníssimo por Puerto Natales, Torres del Paine e El Calafate. Em julho de 2017, peguei carona na viagem do meu irmão e fui encontrar com ele em Ushuaia, no auge do inverno.

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Tenho um casal de amigos (a Regina e o Guimarães) que vão passar uns dias nesses lugares que amei conhecer e que pretendo voltar. Eles me pediram os nomes dos restaurantes que curti conhecer, e resolvi preparar a lista abaixo, não só de restaurantes que conheci, mas também dos que quero conhecer e de outras oportunidades para comidinhas diversas. Certamente será útil para que eu também não me esqueça da comida memorável desses lugares, e possa compartilhar com mais gente.

Em Puerto Natales, da cozinha patagônica às misturas multiculturais
O cordeiro patagônico é uma das atrações da região (tanto Chile quanto Argentina), então mesmo que não curta muito, acho que vale a pena experimentar. Conhecemos o famoso no dia que fizemos os passeios aos Glaciares Balmaceda e Serrano. A última parada foi na Estância Consuelo, onde acompanhamos o final do seu preparo (um gaucho e seu cutelo mandando ver depois da carne passar umas 3 horas no assador). Há também o cordeiro fueguino, da Terra do Fogo – o método de preparação é praticamente o mesmo, e bons entendedores falarão que a diferença está na dieta dos cordeiros… bom, não estudei o assunto tão a fundo. 😀


O restaurante Angélica, no centro da cidade, nos foi apresentado pelos locais como sendo essencialmente para turistas, acredito que por causa do preço um pouco salgado. Mas a cozinha é muito boa, pratos tradicionais saborosos e bem servidos, carta de vinhos correta e serviço cortês e bem humorado. Lá, comi um filé de atum espetacular. Também conhecemos o Afrigonia, restaurante que mescla a cozinha africana com a patagônica (se eu não falasse, quem descobriria?…) – devido à essa mescla, o peixe que escolhi me lembrou muito a cozinha baiana – estava delicioso, e foi uma surpresa descobrir aquele sabor tão longe de casa. A melhor surpresa gastronômica da viagem foi o restaurante Aldea, indicado pela amiga @lavailili. O menu, que muda com frequência a depender dos ingredientes frescos da casa, fica disponível num quadro no salão. A carta de vinhos também é bastante dinâmica, com opções interessantes e menos conhecidas. Fomos ao Aldea duas vezes. Suspiro de saudades desse lugar. Como enche cedo e quando fui não aceitava reservas, o bom é ir logo que abre ou bem mais tarde da noite.


Além destes todos, vale saber que dentro do parque de Torres del Paine há uma lanchonete, em frente ao Refugio Pudeto, na beira do lago Pehoé (veja aqui o mapa) – eu recomendo uma paradinha pra um café, caso esteja de carro (os tours não param ali, não). Em Puerto Natales, conhecemos a casa de chá do Hostel Amerindia Patagonia, bem em frente ao Aldea, e dos mesmos proprietários. Lá é possível fazer um lanchinho bem gostoso, tomar um chá típico da região ou um chocolate quente. Tudo delícia e com muito charme. Tentamos almoçar no restaurante do Hotel The Singular em um dia em que o tempo não favoreceu os passeios, mas quando estivemos lá eles só aceitavam reservas com 24h de antecedência para não-hóspedes, e a decisão foi em cima da hora. Ah, mas o bar estava aberto para visitantes… então aproveitamos para pedir umas bebidas, petiscar e prosear curtindo a vista dos janelões do bar. Depois ainda demos uma volta nas áreas comuns do hotel, que foi construído aproveitando a estrutura de um antigo frigorífico e tem um museu histórico e industrial em suas instalações. Acabou sendo uma tarde bem mais proveitosa do que o simples almoço planejado inicialmente, e experimentei ali o melhor pisco sour de toda a viagem.

Em El Calafate, cozinha patagônica e cerveja regional
Nossa passagem por El Calafate foi rapidinha, mas dois lugares ficaram em minha memória gastronômica. Um foi o restaurante La Zaina, outra indicação da @lavailili. Ele está a uma quadra da rua principal e tem a maior cara de rancho antigo no meio da cidade. Quando você entra, percebe que está num lugar onde a cozinha local é tratada com muito amor e carinho, assim como a composição da carta de vinhos. Pedi um risoto de cordeiro que daria tranquilamente para duas pessoas. A decoração do local também é uma graça, rústica, cheia de detalhes regionais e antiguidades. O atendimento foi extremamente atencioso e simpático. O restaurante não é ‘cozinha aberta’, mas dá pra acompanhar a preparação dos pratos também.

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Librobar – dois prazeres num mesmo ambiente

O outro local, bem mais conhecido de todos que vão a El Calafate, é o Librobar Borges e Alvarez. É um lugar mais apropriado para experimentar cervejas da região e tira-gostos, mas também serve refeições, cafés e gostosuras. Há muuuitos livros que podem ser consultados enquanto aprecia uma cerveja artesanal, e a decoração, sempre remetendo à literatura, é uma graça. Outra coisa boa do Librobar é que está aberto durante todo o dia até tarde da noite – dá pra fazer um lanchinho ali a qualquer momento. Aproveitamos uma tarde ótima no Librobar para colocar as contas da viagem em dia e esperar os restaurantes abrirem para o jantar.

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Não conheci, mas acho que vale anotar que o Parque do Glaciar Perito Moreno possui um restaurante-lanchonete na área de estacionamento, o Resto del Glaciar. Me pareceu que vale para um cafezinho, uma medialuna e a contemplação da vista, antes de finalizar o passeio. Na cidade, o La Tablita foi muito recomendando para cozinha patagônica, mas não tivemos tempo para conhecer.
Em Ushuaia – cerveja Beagle e centollas
A Terra do Fogo é famosa pelas centollas, os caranguejos gigantes presentes nas regiões geladas do planeta. Em uma passagem anterior por Santiago, fui até o mercado municipal conhecer o danado e foi uma decepção só, achei super sem graça. Mas caso alguém tenha passado por experiência semelhante, não se deixe levar. As centollas frescas são deliciosas. Experimentamos no La Casa de Los Mariscos e no El Viejo Marino, e estavam divinos. O preço também é bem mais interessante que o praticado em Santiago.


Experimentamos o cordeiro fueguino (parente do patagônico… lembra?) no centro invernal Las Cotorras, próximo ao Cerro Castor. Lá, a partir das 13h servem um buffet de cordeiro incluindo acompanhamentos, uma bebida e uma sobremesa por preço fixo. O Bruno se esbaldou, comeu todo o cordeiro que conseguiu – e não foi pouco. 😛 😛


Também gostamos muito de almoçar no Almacén de Ramos Generales – que, além de restaurante, tem a melhor patisserie da cidade, segundo nosso anfitrião. Voltamos ao Almacén para lanchinhos. Descobrimos lá, inclusive, o chipá, um parente do pão de queijo mineiro. Para lanches e um chocolate quente, o Tante Sara é bem querido pelos moradores que conhecemos. O Dublin é onde rola o happy hour local, misturando moradores e turistas, com boas cervejas pra fazer jus ao nome. Não conheci, mas me foram recomendados por turistas e locais: Chiko Restaurante, Tia Elvira, Laguna Negra, Kuar. Nomes que guardo aqui na esperança de voltar logo para conhecer todos eles.
Gostou da centolla, quer levar pra casa? Você vai encontrar conservas em várias lojinhas de presentes, mas pode ir direto à fonte no Ahumadero Ushuaia, no retorno do passeio ao Parque Tierra del Fuego ou do Glaciar Martial.

De todas essas cidades também dá pra levar chás, geleias, conservas, molhos e, das argentinas, claro, doce de leite. Ushuaia é zona franca, então ainda tem preços melhores. Trouxe vinhos com preços muito bons.

Vontade danada de voltar 🙂

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